Data de publicação
01/12/2015 12:32

Em novembro de 2014, a ONU fez um chamamento urgente para ação em que estabelecia como uma das recomendações-chave a capacitação de servidores públicos, objetivando expandir a literacia em dados (data literacy ou information-processing skills).

O chamamento foi feito por meio de relatório elaborado a pedido do Secretariado-Geral das Nações Unidas pelo Grupo Consultivo de Experts Independentes a respeito da revolução de dados para o desenvolvimento sustentável.

Além disso, esse relatório sugeria o estabelecimento de Laboratórios de Dados (Data Labs) como exemplo de ação com benefícios de curto prazo e anunciava o lançamento de uma plataforma de análise e visualização de dados para acompanhar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Com a intenção de descrever o contexto da mobilização internacional convocada pela ONU, apresentaremos hoje algumas perguntas e respostas baseadas no relatório “A World that Counts: Mobilising the Data Revolution for Sustainable Development”.

O que é a revolução dos dados para o desenvolvimento sustentável?

Uma explosão no volume de dados, na velocidade com o qual são produzidos, no número de produtores e divulgadores, bem como na gama de objetos a partir dos quais são gerados dados. Esses dados vêm de novas tecnologias, como telefones celulares e “internet das coisas“, e também a partir de outras fontes, tais como dados qualitativos e dados produzidos diretamente por cidadãos (citizen-generated data).

Qual o contexto da revolução dos dados?

Novas tecnologias estão levando a um crescimento exponencial no volume e nos tipos de dados disponíveis, criando possibilidades sem precedentes para informar e transformar a sociedade e proteger o meio ambiente.

Quais os problemas presentes nos dados atuais?

Apesar do considerável progresso nos últimos anos, grupos inteiros de pessoas não aparecem nas estatísticas oficiais e, além disso, vários aspectos importantes sobre a vida das pessoas e sobre as condições ambientais ainda não são medidos.

Muitas vezes, os dados disponíveis nas organizações permanecem sem uso. Isso porque são liberados tardiamente, de forma incompleta, mal documentados e mal organizados. Além disso, eles não são disponibilizados no nível de detalhamento necessário para a tomada de decisão.

Há necessidade urgente de mobilizar a revolução de dados para todas as pessoas e em todo o planeta, com a finalidade de monitorar o progresso, responsabilizar os governos e promover o desenvolvimento sustentável.

Essa revolução deverá propiciar informação mais diversificada, integrada, oportuna e confiável, de forma a permitir que os indivíduos, o estado e as instituições privadas façam boas escolhas para elas próprias e para o ambiente em que estão inseridas.

Quem são os atores envolvidos na revolução dos dados?

Os governos, as empresas, os pesquisadores e a sociedade civil estão em ebulição. Todos em experimentação, inovação e adaptação nesse novo mundo de dados abundantes. Pessoas, economias e sociedades estão se ajustando a um mundo mais rápido, mais conectado e mais abrangente.

Qual tem sido o papel da ONU?

Os esforços da ONU têm sido no sentido de incentivar os diversos atores sociais para que esses se mobilizem. O objetivo dessa mobilização é o de aproveitar as oportunidades de melhoria nos dados essenciais para a tomada de decisão, para a prestação de contas e para resolver desafios de desenvolvimento sustentável.

A revolução de dados, como toda grande mudança, apresenta riscos. Três grandes riscos comumente atrelados à ubiquidade dos dados consideram:

As propostas da ONU são ambiciosas e incluem também a capacitação dos cidadãos, das organizações, da sociedade civil e de jornalistas.

Alinhado com as propostas da ONU o TCU lançou seu Programa de Análise de Dados (incluindo ações de visualização de dados) e também sua Comunidade de Análise de Dados para o Controle. Na próxima edição, continuaremos a apresentar a visão do relatório de experts independentes sobre formas de concretizar as oportunidades que a revolução dos dados nos apresenta.

“Os dados são a alma da tomada de decisões e matéria-prima para a prestação de contas. Sem dados de alta qualidade fornecendo as informações corretas sobre as coisas certas e no tempo certo, o desenho, o monitoramento e a avaliação de políticas eficazes torna-se quase impossível”.

A World that Counts, Mobilising the Data Revolution for Sustainable Development

Fonte: Tribunal de Contas da União